Arquivo para Setembro, 2005

Voltando um "bocadim" no tempo

Os meus “cinco” mas bons leitores sabem, que por causa do trampo, estive apenas uma semaninha na Itália na primeira semana de agosto, com Fabrizio, pertinho pertinho de Lucca, na Toscana.
Então, tenho que dizer que a Toscana não é tããããão mais novidade pra mim… desde 2002 é pra lá que vamos todos os julhos e agostos da vida, mas eu gosto, mesmo porque tem sempre algo que me surpreende ainda, uma nova cidade, uma nova manifestação cultural, um novo roteiro, a Toscana até que é um grande território e tem muito para ser visto e descoberto. Mas esta viagem foi mais um revival daquela de 2003, refizemos a “rota do Chianti”, passando por Volterra, San Gimigniano, Siena, etc… uma rota que aliás é ótima para quem quer ver todos os clichês que mais ou menos definem a Toscana: plantações de uva, girassóis, oliveiras, ciprestes, céu azul, arte por todos os lados, cores fortes e bem definidas. Mas desta vez tínhamos companhia, já que na pequena semana que passei por lá, recebemos um casal de amigos: ela brasileira, ele belga. Foi bacana, estivemos muito ocupados em fazê-los conhecer algumas das muitas maravilhas do lugar e além da rota do Chianti, estivemos em Pisa, Lucca, Montecarlo (não a famosa) e Montecatini Terme (lugares típicamente toscanos), nossos amigos estiveram ainda em Florença, passeio que Fabrizio e eu deixamos passar desta vez, até porque tínhamos coisas pra resolver juntos por lá. Fiz poucas fotos, senão fica tudo muito repetitivo, mas elas estão aqui, caso vcs se interessem em dar um olhada. Enfim, foram dias de passeio, diversão, vinho, jantares à l’italienne, muito papo, risada e rolou até um “casaçozinho básico” no final. Pecado que foi tudo muito corrido, apesar de ter sido por um “óóótemo” motivo (trampo é trampo, né? vamos combinar!), mas com mais uns diazinhos, teríamos ido até Chioggia, para conhecer a terra dos meus bisavós por parte de mãe, e teríamos esticado até Veneza com certeza. Fica pra próxima… Voltei com o nosso casal de amigos, de carro, já que Fabrizio ficou ainda mais 15 dias de férias, e eu tinha que voltar ao trampo, viagem longa e cansativa, mas que no final se revelou uma bela supresa, já que ficamos hospedados um dia na pequena cidade de Eguishein, na França, na linda região da Alsácia, terra do vinho branco, arquitetura alemã, sotaque carregado… adorei e já inclui a região num dos meus projetos de viagem…

Que mais aconteceu que não ainda não coloquei por aqui??
Ah, lembrei! Ando meio sumida, porque faz 3 semanas que recomecei o curso de francês (ueba!), junte a isto mais os afazeres profissionais e “domesticais”, e voilá! Eis uma Andrea que vos escreve, cansada, irritada, mas feliz com a correria se é que isto é possível…
Já disse que sou muito elogiada pelo meu francês e especialmente pelo meu sotaque?? Não sei bem exatemente o que isto quer dizer, gostaria de saber como é o meu sotaque, ainda não consigo identificar, mas várias pessoas me disseram que a forma como falo “c’est très joli”! Eu fico tão feliz :o )
Então tá, estamos conversados por hoje. À bientôt!

Felicidade


07 de setembro. Dia da Independência.
Eu e a Brahma “belga”, brindando pelo sucesso do Seminário realizado. Pelo trabalho recompensado, pelo stress passado, pelo agradecimento falado.

Uma noite mágica (post longuíssimo!)

Quem me conhece, seja pessoalmente ou através do blog, já deve ter sacado que sou uma pessoa avessa a badalações e a todos os “confetes e purpurinas” que a mesma pode nos proporcionar.

Mas, eu não poderia deixar de relatar aqui, o que aconteceu na sexta-feira, dia 09, tamanha a alegria que senti por ter sido convidada para uma festa beneficiente em favor de uma escola de Curitiba, festa tão glamourosa e linda, com certeza a mais bonita que já frequentei neste meu primeiro ano de Bélgica. Mas o motivo da minha imensa alegria foi que, não era “qualquer” escola que estava sendo beneficiada naquela noite do dia 09. Tratou-se da Escola Ecológica Marcelino Champagnat de Curitiba. Bom, se vocês não sabem, eu trabalhei durante nove anos no Colégio Marista de Londrina, uma das muitas instituições educacionais dos Maristas, cuja Escola Ecológica é parte integrante da obra social desta tão conceituada organização, a qual ainda me sinto ligada por laços afetivos muito, muito fortes.

E eu fui.

Estava feliz ? Siiiiimmm ! Orgulhosa ? Muuuuito ! Chorei? Um bocadinho, mas sem dar vexame! Senti saudade ? Claaaaaro, especialmente ao querer que todos os meus amigos do Colégio tivessem visto o que eu vi e vivi naquela noite. Me emocionei em vários momentos também (especialmente ao assistir a entrevista do Irmão Adriano, que quando era um « maristinha – estudante para se tornar um Irmão », não saia da minha sala na hora do recreio, de tanto que proseávamos, e fiquei muito contente ao vê-lo tão firme e forte na Escolinha Ecológica). E naquela noite, agradeci a Deus tbm pela oportunidade de ter participado de uma noite tão bacana, no meio dos bacanas, porque até agora me pergunto o que eu fazia lá, e vcs vão entender o porque ! :o )

Pois bem, chegamos ao local indicado, na sexta-feira por volta de 20h30. Foi uma viagenzinha de 50 min. mais ou menos de Bruxelas (parte francesa da Bélgica) até Itegem (parte flamenga). A “minha” diretora, já estava lá com seu marido e nos esperavam. Senti o “poder” da coisa toda, quando ao estacionar, vimos os demais carros, dos demais presentes.

Um caminho de árvores que faziam um “arco” acima de nós, cuja iluminação era feita somente com tochas, criando um clima medieval, e um tapete vermelho, nos guiava até o local. Depois de caminhar em meio as árvores, uma miragem se desenvolvia a nossa frente : um lago e o Castelo iluminavam-se imaculadamente, e as tochas e o tapete nos guiaram majestosos através do Castelo, até um gazebo enorme onde acontecia a festa, propriamente dita. E ali, se dissipavam o clima medieval, e uma explosão de decoração branca e prata nos esperava, com caipirinhas e uma escola de samba e passistas que deixaram os belgas delirando. Foi neste momento que liguei pra amigos que ainda estavam no Colégio trabalhando, a fim de dividir este momento tão especial. Naquele momento realmente me emocionei, porque aquilo tudo foi para uma coisa que, indiretamente, fez parte da minha vida por 9 anos (o Marista) !!

Já na festa, em determinado momento, M. Marc Vanden Avenne (empresário belga com empresa em Curitiba, e organizador da festa), pega o microfone da apresentadora de tv belga (sim, tinha uma tv filmando !), e explica o porque daquela noite. Ele diz entre outras coisas, que o Marista apesar de ser uma super organização e muito bem estruturada, ele sentiu necessidade no coração dele, de ajudar a Escolinha Ecológica, para que os alunos tenham a possibilidade de estudar lá até os 18 anos, e não somente até os 14 anos como acontece agora e todo o dinheiro revertido naquela noite seria para este fim. Muitos aplausos para ele, e depois um vídeo (nesta hora, chorei um pouquinho) da Escolinha, cujo fundo musical era o hino nacional cantando pelos próprios alunos. Mais aplausos ainda para ele, e sua iniciativa ! Nesta hora o “jet-set” belga já estava sacando seus cartões de créditos para preencherem as “comandas” bancárias para ajudar a Escolinha.

Depois deste precioso momento, começou o desfile da Glória Coelho, com sapatos e bolsas da Franziska Hubner (as duas estavam sentadas ao lado da nossa mesa, com a atriz Milla Moreira). Chiquérrrrrimo e as modelos eram todas brasileiras ! Aliás o empresário importou do Brasil as modelos, a cantora, a escola de samba, as passistas, o grupo de capoeira, e todo o staff que nos servia…

Após o desfile, um leilão, foram leiloados muitos objetos, mas o que valem a pena eu dizer foi que “arremataram” uma foto do bairro da Liberdade em São Paulo por 10.000 euros, uma outra escultura tbm por 10.000 euros, uma bola de futebol assinada por Pelé por 4.000 euros, uma bandeirinha do Brasil feita com strass por 2.500 euros e assim foi, por algumas horas.

Estão vendo o porque eu me pergunto até agora o que eu estava fazendo lá ?? :o ) Ah ! Uma das poucas coisas que não foram vendidas foi uma passagem ao Brasil, ida e volta, por 400 euros em classe ecônomica…. dai, alguém sabiamente disse: “e alguém ali viaja em classe econômica ??” hohohoho….
Enquanto isto o jantar rolava solto, e a escola de samba com as passistas voltaram após o leilão, e foi quanto fomos pra pista de dança, celebrar até as 3 da manhã o sucesso da noite e alegria de ter participado de uma coisa tão extraordinária.

Notinhas sobre a festa que foi divulgado na imprensa brasileira:

1) Jornal “O Estado do Paraná” de 05/09/2005:
* Solidariedade além-fronteiras. É como se pode denominar a iniciativa do empresário belga Marc Vanden Avenne, que organizou para o próximo dia 9 uma noite festiva destinada a arrecadar fundos para a Escola Ecológica Marcelino Champagnat, de Curitiba. Será em Itegem, localidade próxima à Bruxelas, na Bélgica.
* O senhor Marc confeccionou e distribuiu bonito convite, que recebi através do cônsul João Casillo. Do programa constam Coquetel Bossa Nova, desfile de moda pelas designers brasileiras Gloria Coelho e Franziska Hübener, jantar curitibano (Curitiba Dinner), apresentação do projeto e um show de capoeira, entre outras atrações.
* Segundo Casillo, a iniciativa de Marc Avenne deve-se ao apreço que tem por Curitiba, pelo Paraná e pelo Brasil, formado durante os anos em que aqui desenvolve suas atividade. A festa, basicamente, visa obter meios para incentivar os alunos carentes e que tenham méritos para galgar posições nos estudos. Considerações sobre a iniciativa podem ser enviadas ao consulado, que as repassará ao senhor Marc, adianta o cônsul.

2) Jornal “O Estado de São Paulo” de 04/09/2005:
coluna do Cesar Giobbi
Passarela belga
Gloria Coelho e Franziska Hubener estão de malas prontas para a Bélgica. Elas desfilam suas coleções a convite do empresário Claus Reinhardt, num evento beneficente, em homenagem ao Brasil, na sexta. Toda a renda será revertida para a Escola Ecológica Marcelino Champagnat, em Curitiba. O cenário será o castelo do empresário Marc Vanden Avenne em Isschot, e o casting é composto por 21 modelos brasileiras.

O que anda rolando…

Só agora me dei conta de que faz um tempinho que não venho aqui.
Na verdade estou muito, muito ocupada, e sem internet em casa, o que piora as coisas.
Estou só escrevendo pra dizer que quando “a poeira baixar”, eu volto.
Não, eu não abandonei o blog! :o )

Até a volta!


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