Antes que eu me esqueça de explicar o porque dos cavalos por aqui: Bruxelas no verão de 2003 foi invadida pela “Cow Parade” que são as famosas vaquinhas pintadas por artistas e espalhadas pelos principais pontos da cidade. Estava aqui na época de férias e era muito bacana ir andando e descobrindo cada uma delas em pontos estratégicos. Este ano por sinal, São Paulo estará recebendo a mesma “parada”, assim como aconteceu em Bruxelas e em outras grandes cidades do mundo. Bem, a fórmula deu tão certo que este ano eles criaram a “Horse Parade” , é a mesma coisa, só que como o nome diz, desta vez os artistas pintaram cavalos que estão devidamente expostos, todos, no Parque do Cinquentenário que é na esquina de casa
). Enfim, fui lá, vi e fotografei. Alguns são simpáticos e tem cavalos para todos os gostos, mas eles não são tão queridos como as vaquinhas. Ah! Tem até cavalo disfarçado de vaca, como vocês podem ver na última foto.
Comprei os ingressos para o show da Daniela Mercury. Ela estará aqui em 12/07. Gosto desta baiana arretada, tenho vários cds e acho que vai ser um show bem bacana, especialmente pra quem anda sentindo falta de sacudir o esqueleto com música brasileira.
Estou de dieta (pela milésima vez, aliás quando me conscientizarei de que devo viver em dieta?), e emagreci 2 kgs em 2 semanas. Bacana, né? Falta só criar vergonha e caprichar nas caminhadas, porque essas sim, ainda estão capengando um bocado.
Andei sumida daqui porque estes últimos dias andei atarefada na Câmara e fiz os exames finais de francês. Tô tão feliz!! Fui tão bem! Tenho sido eleogiada pela forma como me expresso, não somente na escola, como na trabalho e em rodinhas de amigos. A nota final pegarei na quinta-feira, mas já havia tido um bom resultado na prova escrita e na oral eu “arrasei” (sem falsa modéstia), escolhi discutir com a professora sobre o “ano brasileiro na França”, e não somente discutimos isto, como também o governo do Lula (superficialmente, claro), e tentei explicar “como assim” o Gilberto Gil foi parar no Ministério da Cultura (quase que inconcebível no seu conceito). Sim, meus queridos, agora eu posso dizer: eu falo francês! Yes!
Esta semana será bem legal: vários encontrozinhos a vista. Quarta: almoço com a advogada e a secretária italianas do escritório de advocacia onde fica a Câmara. Quinta: café com a turma de francês da minha amiga Julia e aniversário da diretora da Câmara num barzinho brasileiro. Domingo: brunch brasileiro com as mesmas italianas do almoço de quarta. Detalhe: sempre com algo de Brasil para acompanhar, o que tornam as coisas ainda mais gostosas e convidativas!
Bom, quanto a viagem de um ano de casamento e dos meus 29 anos, sinto em informar, mas nada definido ainda. Acabará que ficaremos em casa, hohoho!
E para terminar, acho que vou começar a responder aos comments nos próprios comments como tenho visto muito por aí, porque sei lá, falando francamente, não tenho tempo de responder por emails e acho chato não dar um retorno ao pessoal que interage comigo… então ficamos combinados assim, ok?
E mais cavalos pra vocês:

este foi o que eu mais gostei!

Cavalo “Asterix”

Uhù! prontos pro ataque!

Olha aí o cavalo-vaca!
Dia 11 foi aniversário da minha mãe. Não coloquei nada aqui porque ela não lê blogs, mas estive presente como pude: orei a Deus pedindo saúde e paz, liguei desejando a ela todas as bençãos, e o presente que comprei deve estar em vias de chegar lá em Londrina, e o melhor de tudo: ela foi para a casa de minha irmã que organizou um bolo e champagne(a). Ela ficou toda feliz por estar perto de uma das filhas e da netinha, minha amada sobrinha Manoela. Pensei que ia abrir ao bocão ao falar com ela (afinal este foi o seu primeiro aniversário longe uma da outra), mas não, ela estava tão bem e eu também, que rolou nenhuma lagrimazinha, só alegria e a certeza de que ela está bem e eu feliz… menos mal, né?
Uma das coisas mais bacanas de estar morando fora do Brasil há pouco tempo (amanhã, exatos 11 meses!), é a riqueza de aprendizado que se adquire justamente nesta fase de adaptações. Muitas vezes é triste, dolorido, entramos em choque contra nós mesmos e contra tudo aquilo que vivemos e cultivamos em nossos países de origem, é um eterno recomeçar, readquirir, reestruturar, restabelecer, e porque não, um reaprender e aprender novamente, começando do zero, uma nova língua. Mas conforme os resultados, a base de muita paciência diga-se de passagem, vão surgindo, vou cada vez mais, me maravilhando, me concretizando com tudo e com todos, tenho certeza de que neste exato momento estou me reconstruindo. Parte desta riqueza que tenho adquirido através desta fase de adaptações, está sendo justamente estar cursando o francês, uma das três línguas faladas aqui na Bélgica, tenho estudado com gente do mundo todo, especialmente africanos, árabes, asiáticos e do leste europeu. Vocês tem idéia do que é ouvir da boca da iraniana que este verão ela estará indo ao encontro da sua família nos Emirados Arabes, simplesmente porque não pode retornar ao seu próprio país? E em poucas palavras saber que a albaniana dormiu durante seis meses de roupa porque caso ela fosse atingida por uma bala e morresse, ela não seria encontrada “desarrumada” e a tristeza em seus olhos ao contar de sua mãe que ainda se recupera de uma cirurgia por causa de uma bala que atingiu seu seio, a revolta ao dizer que viu a sua casa e as de demais parentes serem queimadas durante um bombardeio, e que seu pai, neste momento trabalha como voluntário procurando e desarmando minas que vai encontrando pelo caminho, e a esperança, ainda que pequena, de reencontrar todos os primos desaparecidos durante este período negro da história de seu país que ainda não está totalmente cicatrizado, e mesmo assim, ela ainda sonha com um retorno, ela e sua família espalhada por toda Europa.
