Não sou chegada a simpatias, tradições e afins para cada ano novo que nasce… não me venha pedir para usar roupa branca com calcinha rosa, não me venha com uvas e suas sementes (a não ser que seja simplesmente para saboreá-las), não me venha com saquinhos de arroz costurados para colocar na carteira, não me digam para pular a tal das 7 ondas, muito menos jogar flores no mar, que comigo não funciona. Prefiro deixar « minha sorte », meus desejos e meu futuro à cargo de Deus, prefiro a Bíblia e a certeza de que estou sempre debaixo dos cuidados divinos, e para que mais ? Mas respeito aqueles que acreditam e fazem uso dessas simpatias e outras mais…
Também não sou adepta do esquema « tudo-vai-ser-diferente-no-ano-que-vai-nascer », mesmo porque não vai, e não se trata de pessimismo, é apenas a consciência de que se não provocarmos mudanças, seja em qualquer época do ano, é obvio que nada muda, e continuamos sempre na mesmice, então o lance é : move on, indepedentemente de ser « reveillon » ou não, o « ano novo » pode começar a qualquer dia do ano, basta você querer ! Mas, isto não quer dizer que não faça meus planinhos, ali, próprio a meia-noite, que não me emocione, que não deixe de pensar na minha família e amigos no Brasil, que não vou orar por todos nós e pelo mundo , que não vá beijar e abraçar meu marido, que não vá participar da festa e brindar a 2005, pois um 1o de janeiro é sempre 1o de janeiro, né ?
Retrospectivas ? Prefiro deixar isto a cargo dos jornalistas, que este ano devem ter muita coisa pra contar, mas devo dizer que meu 2004 foi excepcional, e por este motivo, vale a pena uma « retrospectivazinha », afinal sempre que soube que este, seria «O ANO» para mim.
2004 foi um ano intenso, talvez o mais intenso dos meus 28 anos já vividos : foi o ano da intensa alegria de finalmente estar com Fabrizio e da intensa tristeza de deixar minha mãe, família e amigos. Foi o ano em que decidi deixar meu casulo e alçar vôos maiores em outras paragens : deixei o Brasil e vim para a Bélgica. Foi o ano em que pela primeira vez, decidi escutar o coração e não somente a razão, e esta foi uma atitude bastante razoável também ; foi o ano em que troquei o português pelo francês ; o ano em que deixei meu emprego e voltei à vida de estudante, aprendendo o be-a-bá da minha nova língua ; o ano em que me noivei e me casei ; o ano em que finalmente pude investir em algo « concreto », meu apartamento no Brasil ; o ano em que tive de separar o que seria mais importante para mim, engolir as lágrimas e começar um novo começo ; decisões intensas que me causaram dor, mas também infinitas alegrias, enfim, o ano em que mais aprendi a respeito da vida, das diferenças, da paciência, da tolerância e do amor…
O que me aguarda em 2005 ? Quem sabe…assim como fiz em 2004, quero provocar minhas mudanças em 2005… para que ele continue sendo « O ANO », para mim, Fabrizio, nossas famílias, amigos e para você !! Mas, sendo realista como sou, é melhor começar com uma boa dieta
) !!!
Abençoado 2005 !

















